CICLOS II

Quando a gente pensa em começo de ciclos, a própria palavra nos remete à idéia de círculo, circular em torno de.

Dia desses, caminhando pela Redençao florida de outono, escutando Nei Lisboa no meu MP3, sentindo o cheirinho de pipoca das carrocinhas que ficam ali perto do chafariz, me invadiu um sentimento de deja vu. Num instante, foi como se tivesse dado um pulo de volta à minha infância.

Justo aí me dei conta de algo fundamental. Externamente (salvo as devidas recuperaçoes e mudanças naturais do passo do tempo) tudo igual a tantos outros momentos da minha vida: a Redençao, o lago com suas tartarugas e peixes, a pipoca, as paineras. Mas em cada época em que esses mesmos elementos estiveram presentes na minha história, tinha uma eu diferente ali. Era um novo ciclo, mas nao um círculo. Um ciclo em espiral.

Aí vem uma boa proposta para pensar o signo do mês, o primeiro do nosso ciclo zodiacal. A experiência básica que o arquétipo Áries representa que é o começar de um novo ciclo, pode ser compreendido como uma experiência em espiral – cada vez que recomeça, há uma outra percepçao dos acontecimentos. Um novo olhar, um novo significado. Nós mudamos, o mundo muda. Nao é por acaso que o título de um dos livros de astrologia que mais marcou meus estudos até hoje se chama “Zodíaco: espiral da vida” do astrólogo Dane Rudhyar.

Nós (astrólogos) trabalhamos o tempo todo com ciclos: planetários, progressoes, revoluçao solar, etc… as técnicas de análise sao muitas. Interessante é tentar olhar pra eles com essa perspectiva; nao é uma repetiçao, mas um ciclo de aprendizado em espiral. Aí faz sentido andar acompanhando os trânsitos na nossa vida. Por exemplo, na primeira vez que Júpiter fizer um trânsito importante no nosso mapa e a gente se atrapalhar, ok. Na segunda vez que isso acontecer, a gente pode se lembrar e tentar nao repetir a experiência. A diferença é a nossa consciência do processo. Aí o movimento dos planetas se transforma em uma dança, manifestando diferentes facetas de um mesmo tema, ao longo da nossa vida. Bem mais interessante do que pensar “tá, mas quando é que esse Saturno vai sair daí???”. Saturno, que todo mundo considera um “vilao”, faz duas voltas completas no nosso mapa – um aos 29 anos aproximadamente, e o segundo aos 58, mais ou menos. Sim, tremei: dois retornos de Saturno!!! Chego a rir sozinha aqui escrevendo e imaginando várias caras dizendo “nao acredito!!”. Nao sei bem por que ele ficou com essa fama tao terrível.

Mas enfim, a questao é: imaginem só se um trânsito (qualquer que seja) aos 29 anos e depois o mesmo aos 58 anos vai ser igual?! Claro que nao.

Nao se pode negar o que já se viveu, viu, experimentou. Tem alguns sonhos que nao “colam” mais. Tem outros que amadureceram com a gente e estao aí, firmes e fortes. Tem sonhos que se tornaram realidade, e tem realidades que se esfumaçaram como se fossem sonho, como se nunca tivessem existido. Cada vez que passamos pelo “mesmo” ponto, já nao é mais o mesmo. Nós estamos em constante renovaçao.

Essa é a idéia. Vamos circular em espiral.

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foto de Vera Spolidoro, no Museu Iberê Camargo, POA

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